sexta-feira, 28 de março de 2014

A culpa não é da minha saia.

Eu ia fazer um post sobre o nascimento de fissurados por cesárea e violência obstétrica. Mas deixei esse para depois, quando vi o resultado de uma pesquisa divulgada pelo Ipea (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada) ontem 27. O estudo, feito entre maio e junho de 2013, revela que 42,7% dos brasileiros concorda totalmente que "mulheres que usam roupa curta merecem se atacadas". O mais assustador? É que 66,5% do universo de entrevistados é de mulheres!



Não, minha amiga, a culpa do estupro não é da minha ou da sua roupa curta. Porque em países em que não se usam mini saias e decotes também se estupra. Porque no inverno também se estupra. Porque também se estupram homens (mas ninguém divulga isso nem põe a culpa na vítima). Muçulmanos estupram, americanos estupram, brasileiros estupram, europeus estupram, asiáticos estupram.  

E aí eu vi comentários no Facebook a respeito do assunto dizendo que "não se pode conter o instinto masculino" em algumas situações. Oi? Você, estuprador, pensa que mulher não merece respeito e foi criado para achar que pode fazer e ter o que (e quem) quiser e a culpa é dos seus hormônios? Não, criatura, a culpa não é dos seus hormônios. Porque a gente também tem hormônios e não estupramos ninguém. Guardamos o nosso desejo, o nosso tesão, para os nossos maridos, amantes, namorados ou até para o chuveirinho do banheiro. A culpa, criatura, é da sua falta de caráter, de quem criou você machista e dono da verdade. De quem te ensinou que mulher é objeto e não tem o direito de vestir o que quiser - como você, de andar por onde quiser - como você, de falar com quem quiser - como você.

A culpa é do machismo encrustado nessas sociedades em que mulher é menos que homem. E se ela não estiver de roupa curta? Aí estava andando pelo lugar errado, sozinha, bêbada, tinha usado drogas ou não estava prestando atenção. Sempre há um jeito de culpar a vítima pelo crime. Como repórter, cansei de ouvir nas delegacias, dos delegados e policiais que atendem às denúncias de estupros, frases como "mas ela facilitou", ou "eu acho que estava bêbada", ou "ali também não é lugar de andar, né?". Como se fosse impossível que a mulher, vítima, estuprada, não pudesse estar certa em andar por tal lugar - bêbada ou não - sem que um (prefiro não divulgar a palavra) se achasse no direito de violá-la.

O que me entristece é que esta é a mesma sociedade que acha que negro não pode ter dinheiro nem status social, ou que quem tem Síndrome de Down não tem capacidade intelectual para trabalhar, ou que uma adolescente jamais pode ser boa mãe, ou quem não tem uma aparência aprovada (por quem mesmo?) é menos capaz de ter sucesso na vida.

A mesma sociedade que tolera um homem por a mão por baixo da roupa de uma mulher em um programa de rede nacional, porque ele é famoso. E o colega dela não fazer NADA sobre isso!


Em abril de 2013 foi para o ar a gravação do programa Pânico na Band em que o diretor de teatro Gerald Thomas coloca a mão por baixo do vestido da apresentadora Nicole Bahls e tenta levantá-lo à força. O sujeito comentou em seu próprio blog “Meti a mão na menina” e tenta justificar a atitude deplorável com o velho e preconceituoso argumento “Só levantei a saia de alguém que estava usando trajes ousadamente ‘putos’, sentando no meu colo e …nada mais. Mas ISSO TAMBÉM é teatro.” Como se o fato de alguém usar vestido curto desse direito a outra pessoa de violá-la sexualmente. Como se abusar sexualmente de alguém pudesse ser uma ação justificada pela arte. (Leia matéria completa de A Mulher)

Estamos todos cheios de machismos e preconceitos nos nossos corações. Mas a culpa deles, pessoal, não é do objeto dos nossos preconceitos. É nossa. Mudar ou não cabe a nós, não a eles.

E a culpa do crime, senhor estuprador, não é da sua vítima. É sua, e só sua e de mais ninguém. 

Veja mais sobre a pesquisa aqui.

terça-feira, 25 de março de 2014

O pós palato. Uma vida toda nova.

Hoje foi a consulta com o cirurgião. A segunda após a cirurgia do palato. Fomos liberados para comidas sólidas (sendo bem molinhas) e mamadeira! Vocês não imaginam a felicidade da mamãe aqui. Foram 15 dias alimentando-se exclusivamente de sopas e iogurtes porque só podíamos oferecer líquidos e pastosos finos, e isso era o que ele aceitava. Quando chegamos em casa hoje coloquei um prato com batata doce cozida, arroz, um pouco da sopa e frango desfiado. Ele devorou! Todo feliz. Mais lindo ainda foi vê-lo receber a mamadeira de volta. Experimentando a boca nova.

Essa liberação é um marco importante por vários motivos. Significa que, agora, ele vai poder começar a usar o palato de fato. Ainda é preciso esperar um pouco mais para estimular a sucção e outras funções, mas ir devagar é fundamental para que ele se acostume também à nova condição. Percebemos às vezes ele passando a língua por dentro da boca, tentando fazer movimentos com os lábios como se fosse falar alguma palavra que ainda não pronuncia.

Aliás, enquanto eu chorava vendo ele comer o meu marido falou pra mim: "agora não sai mais comida pelo nariz". Claro que essa é uma parte importantíssima e muito esperada. Mas eu pensei, isso é o de menos. Nunca me incomodou a comida escorrendo pelo nariz pelo simples fato de que eu nunca liguei pra isso. Fundamental era ele comer, e isso ele sempre fez bem. O que me enche o peito de alegria é saber que agora ele vai falar! Vai aprender a pronunciar cada sílaba, cada fonema, cada letrinha.

Como eu já disse aqui, eu acho linda demais a forma como ele se comunica. Ele tem uma linguagem própria, e gesticula muito. Recentemente aprendeu a juntar os dedinhos e colocá-los à boca, indicando que quer comer. Ou fazer o movimento de "vem" com a mão perto da boca. Aliás, o primeiro (em que junta os dedos encostando-os à boca) significa comer de brincadeira - temos que dar comida para os brinquedos, por exemplo. O segundo, em que movimenta os dedos em conjunto significa que ele quer comer. É mole?

Mas a linguagem é uma ferramenta fundamental da vida em comunidade. Saber se expressar, se fazer entender. Como jornalista  penso que o maior bem que posso fazer pelo meu filho é ajudá-lo a falar bem. Só que, para ele, esse processo começa muito antes do falar em si, e é por isso que estamos trabalhando. A próxima etapa são as consultas periódicas com a fonoaudióloga. 

Agora veremos o cirurgião mais uma ou duas vezes. Depois, só daqui a muitos anos, se tudo der certo. E deixo aqui um agradecimento muito especial à ele, que sempre nos tratou com muito carinho e é um entusiasta da causa dos fissurados no estado. Em breve abrirei uma sessão aqui no blog indicando toda a equipe que trata o Guilherme, só preciso pegar a autorização de cada um para divulgar seus nomes e contatos. 

E ainda esta semana vou colocar as dicas de como lidar com o pós operatório (até com receitinhas). Por enquanto, vamos aqui nos acostumando com essa vida nova que é ter céu na boca do bebê.

;)

domingo, 9 de março de 2014

Carta ao Gui nos meus 30 anos.

Filho,

quando eu era adolescente, imaginava que iria comemorar meus 30 anos de um jeito fenomenal. Com uma festa enorme, cheia de amigos e familiares, muita bebida, música animada e um tema que eu escolhesse - podia ser carnaval, feijoada, festa a fantasia ou até uma festa com tema infantil, pra fazer ironia com a data.

Nos primeiros 20's, eu tinha certeza de que chegaria ao 30 com uma carreira bacana, fazendo minhas matérias; quem sabe não seria repórter especial ou correspondente em algum país bacana? Ou editora de cultura numa revista que gosto. Ou apresentando meu programa de entrevistas no rádio. Ou mesmo na bancada dos jornais de praça que adoro fazer em alguma cidade que escolhesse morar.

Até bem poucos anos atrás, eu passei a só querer conseguir comemorar meus 30 com as pessoas que amo ao redor. Eu pensava que meus amigos todos estariam presentes, meus pais, meus primos, minhas avós, as pessoas queridas e que importam todas reunidas, dançando e cantando e sorrindo numa festinha modesta mas preparada com muito carinho.

E então, você chegou. Chegou quando meus planos já eram mais simples, mas continuavam incluindo um monte de gente, menos você. Porque eu ainda não sabia que você queria comemorar comigo uma data que eu achava ser tão especial. Afinal, parece que celebrar os 30 anos é um marco na vida da gente, não é? Depois você me conta se no seu tempo ainda vai ser assim.

Você chegou eu já ia em mais da metade do penúltimo ano dos meus 20 anos. E aí chegaram os 29 e eu não tinha conseguido aquilo tudo que imaginei que teria. Eu não tinha o emprego dos meus sonhos, eu não tinha uma carreira estável, eu nem tinha um emprego de verdade! Então eu não tinha dinheiro para planejar uma festa, ou uma viagem - como era o plano B. Mas eu tinha você.

E ter você mudando meus planos foi a coisa mais fenomenal que aconteceu na minha vida. Porque você não veio sozinho, filho. Você veio com uma fissura. Você veio com uma boquinha tão especial que exigiu de mim (e do seu pai e de toda a família) um amor que eu nem sabia que tinha. Um cuidado, uma dedicação e uma vontade imensa de estudar para fazer tudo do melhor jeito; de reunir outros pais e crianças fissuradas para que ninguém precisasse ter medo ou angústia de estar na mesma situação que nós. Você trouxe para mim uma vontade gigante de mostrar ao mundo que ter um filho fissurado é só ter um filho de um jeito diferente. Amamentar de um jeito diferente, se comunicar de um jeito diferente. E isso tem sido uma aventura emocionante!

Eu olho no relógio agora e são 20h16. Daqui a um dia e 10 minutos faz exatamente 30 anos que eu nasci. Daqui a pouco mais de 8 horas eu estarei de novo com você no meu colo, esperando para lhe entregar nas mãos da equipe médica que irá, pela segunda vez, lhe ajudar a construir o que a natureza deixou para que nós dessemos conta. Amanhã cedo vai ser a cirurgia de reconstrução do seu palato. Você vai ter um céu da boca, Gui! Novinho, lindo. Do jeitinho que eu sempre sonhei. 

E, no dia para o qual eu imaginei tantas e tantas coisas, jamais suspeitei que iria ganhar um dos melhores presentes da minha vida: um novo começo. Mas não para mim, somente. Um novo começo para nós dois. Porque, com o céu na sua boca, você vai reaprender a falar, e eu vou conseguir entender tudo o que você diz sem precisar pedir para você repetir. Porque, com o céu da boca, você vai poder comer o que quiser, duro ou mole. Porque, com esse céu, você vai, finalmente, conseguir falar "papai", com todas as letras, com todos os fonemas. E isso vai arrancar tantos sorrisos do rosto do seu pai bobo que só de imaginar o dele, eu já me desfaço em outros mil.

(Eu lembro do meu coração inundando de alegria quando você disse "mámá" pela primeira vez, depois da cirurgia que costurou a sua boquinha. Seu pai não perde por esperar.)

Então, eu chego aos 30 anos com quase nada do que imaginei que iria chegar. Mas com tudo o que eu sempre quis. E com todas as coisas e pessoas de quem preciso. Eu tenho você, e o seu pai, ao meu lado. E nós juntos temos um batalhão de familiares e amigos que, neste momento, emitem tanta energia boa que eu consigo sentir daqui cada abraço e cada oração. 

E você, Gui, neste 10 de março, vai ter mais um pedacinho pra eu amar. Se é que é possível te amar ainda mais.

Obrigada pelo feliz aniversário, meu amor!




quarta-feira, 26 de fevereiro de 2014

À espera do filho novo.

Confesso que demorei um pouco até começar a escrever este post. Minha concentração para qualquer coisa além da cirurgia de Guilherme está quase a zero, e no final do dia eu sequer lembrava quais eram as ideias que tinha tido no começo para o texto que queria escrever. Mas, enfim, vamos falar de expectativas.

A segunda cirurgia do pequeno está marcada para o dia 10 ou 12 de março, dependemos apenas da confirmação da agenda do anestesista. Desta vez o (santo-anjo-artista) cirurgião vai costurar os lados do céu da boca, permitindo que a estrutura do palato se transforme em uma só, possibilitando a funcionalidade completa desse pedacinho tão esquecido mas tão importante do aparelho bucal. A técnica usada não é complexa: o Leonardo vai, assim, puxar um lado e o outro e costurar no meio. Claro que existe toda um tecnicismo e uma mágica médica nisso, não há desmerecimento. Mas para nós, leigos, é assim que é.

O que tem me preocupado não é bem a cirurgia, mas o pós. Será quase um mês sem alimentação sólida. Isso aí. Sério. Uns 30 dias com uma criança de 1 ano e quase 6 meses se alimentando exclusivamente de líquidos. Gelados. E nas primeiras duas semanas, sem poder usar a sucção. Ou seja, tomando tudo no copo ou na colher. Como diz a molecada, "tá ligado" no desafio?

Aí por estas semanas eu comecei a fazer umas alterações na rotina dele. Para começar, a tentar tirar a mamadeira das madrugadas (sim, ele ainda acorda algumas vezes para mamar). O que tem sido difícil porque - Murphy é implacável - há 3 semanas começaram a nascer 4 (eu disse QUATRO) dentes de uma só vez e, pelo que percebemos, podem ser os pré-molares. Por algum motivo ele pulou o nascimento dos incisivos laterais. Sei lá, vai que ficaram com preguiça de sair para brincar. Mas os quatro lá de trás estão animados e saindo com força!

Bom, além de tentar fazê-lo ficar a madrugada sem leite, o próximo desafio "mamador" é conseguir que ele adormeça sem a mamadeira, para em seguida tomar o leite da noite no copo, antes de deitar. Mas se eu sabia que ia ser assim, por que não comecei todo esse processo antes, né? Não consegui. Tiramos férias até o começo de janeiro, depois o marido estava escrevendo e defendendo a tese do doutorado, nós tivemos que sair do nosso apartamento e acampar na casa dos meus pais porque vamos nos mudar em breve...enfim. Foi quase impossível manter uma rotina favorável à alterações com o bebê.

Aí, além disso tudo, a ordem no almoço e janta desde o começo da semana é sopa fina, batida e gelada. Acho que o gelada nem é o maior dos problemas, nunca o acostumei a comer nem beber nada quente. Nem o leite. Sempre em temperatura ambiente. Acho que só dava leite morno a ele quando era o materno, que eu ordenhava e congelava e usava um aparelhinho que esquentava para descongelar.

Mas ele, que já come de tudo e adora mastigar, está rejeitando fortemente a ideia da sopa repetida no cardápio. Faz careta, cospe, empurra o prato, sai correndo. Já pensei até em fazer picolé de sopa e de feijão batido para ver se cola! Vai que, né?

Ai, ai. Daqui pra frente nem sei mais o que dizer. Toda essa situação tem me deixado numa ansiedade sem tamanho. De verdade, com direito a crises de ansiedade e oscilações terríveis no humor (tadinho do marido). Mas o ponto positivo é pensar que daqui a dois meses teremos um filho novinho em folha! Não, não quero me livrar do meu. Mas adoro pensar que ele - que já fala horrores e adora comer e AMA tomar banho de piscina - vai poder desfrutar de tudo isso plenamente. Não é lindo? Acho que é o que nos segura. Pensar no depois. 

E, se você acompanha o blog já viu aqui como foi o pós cirúrgico da cirurgia de lábio, a que todo mundo dizia que era tranquila, que não tinha problema...afe! Guilherme tocou terror com a gente. O que esperar da que tem fama de complicadinha, mais difícil, "tem-que-ter-mais-paciência"? Vamos todos em uma corrente de oração torcer para que o meu pequeno do-contra nos surpreenda e não precise de umas 6 horas de colo ininterrupto desta vez.

E, principalmente, para que ele (e nós, por consequência), não sofra tanto.

Amém!







sábado, 7 de dezembro de 2013

O idioma de um fissurado.

Quanto tempo!
Prometo que volto a atualizar com mais frequência. Agora que Guilherme aprendeu a andar (sim, e a escalar, a pular, a se pendurar...aiai) as novidades de desenvolvimento vêm aumentando mais e mais.

Bom, a bola da vez por aqui é vocalização. Há vários meses que nós observamos que ele fala, mas não conseguíamos entender nada. Alguns fonemas se repetem em significados diferentes, outros são só vocalização, mas eu sei que ele usa palavras que ele cria. O desafio é associar, para conversar.

Há algumas semanas, colocando ele para dormir, eu consegui entendê-lo pela primeira vez. Foi lindo! Entendi ele pedindo leite, chamando o pai, querendo brincar. E foi um marco na nossa comunicação, porque comecei a apurar o ouvido e passar a conseguir associar cada vez mais palavras - embora ainda seja muito difícil fazer isso, até para mim. 

Agora já temos alguns sons bem específicos. O "glossário" atual é o seguinte:

  • Lé-lé = leite, mamadeira
  • Mã-ê = mãe (eu! toda orgulhosa! hehe)
  • A-uá = água
  • É-i-nha = Belinha, uma cachorrinha de pelúcia que ele tem e adora
  • Má-má = tudo o que ele queira muito. Comida, passear, a Galinha Pintadinha (mas aí vem acompanhado do movimento de bater asas com os bracinhos).
  • Gui-i-nha = Julinha. A filha da empregada da minha mãe, grande amor da vida dele. Tem 6 anos e é a melhor amiga de Guilherme.
  • Lá - geralmente vem esticado, com um "aaa" comprido. Significa que ele quer ir para algum lugar ou buscar alguma coisa, em geral.
Essas são as principais e mais faladas. Existem outras, e algumas que ainda estamos tentando "catalogar". Eu tenho certeza, por exemplo, que alguma dessas palavras que ele fala significa "vovó", e outra, "papai". Só não consegui entender direito quais, ainda. Ele também fala muito "a", "é" e "ó".

[Gente, eu ainda não comecei a estudar como se escreve os fonemas. Mas está na minha lista de aprendizado para 2014, para eu poder escrever direitinho da forma oficial, tá?]

Percebam que as palavras são compostas de muitas vogais. A falta do palato dificulta o aprendizado de muitas consoantes, coisa que deve ser resolvida - e praticada - com a cirurgia de reconstrução do céu da boca, daqui a 3 meses.

Mas o mais interessante dessa fase é que Guilherme percebeu muito logo que não o entendíamos verbalmente, e aprendeu uma outra linguagem: a corporal. Ele tem vários gestos, muitos dos quais ensinamos despretensiosamente e que ele usa para construir frases! Eu acho isso incrível. O garoto tem 1 ano, 2 meses e 20 dias. E às vezes fala uma frase inteira só com gestos e olhares.

Claro que ele aponta muito. Mas nós o incentivamos a mostrar de outra forma o que quer. Às vezes, ele fala. Às vezes, gesticula. Um dos gestos mais frequentes é a mãozinha aberta espalmada para cima, quando quer dizer "cadê?", "acabou" e "onde está?". Ele identifica a Galinha Pintadinha com o bater de asas e aponta. Sem contar que decora com incrível facilidade o local onde viu/descobriu uma coisa pela primeira vez, e quando quer ver novamente aponta para o mesmo lugar com um comprido "lááá".

Segunda-feira teremos consulta com uma nova fonoaudióloga porque a nossa querida Sandra está de licença médica. Como viajamos de férias em dezembro, quero ir sabendo o que incentivar e o que corrigir, para começar o pré-tratamento da cirurgia de palato.

Querem saber de outra coisa linda? Ele aprendeu a fazer bico!! Os fissurados de lábio demoram até conseguir usar a boca em todas as posições, fazer bico é difícil porque a musculatura que foi costurada demora até amolecer totalmente. E, de uns dias para cá, o bico apareceu. Olhem que lindo que é!

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Beijos!!